Anarquia organizacional
- baffinig
- 27 de jul.
- 2 min de leitura
"Falta disciplina!!!" Gerson Baffini, sócio-fundador da dZ4b e professor associado da Fundação Dom Cabral, já ouviu essa frase inúmeras vezes em reuniões de conselho, em planejamentos estratégicos e em projetos de redesenho de processos, sempre apontada como o ponto fraco das empresas. À primeira vista, parece óbvio o que os administradores querem dizer. Mas o que está por trás dessa frase tão repetida?
Quando questiona os colegas sobre o assunto, as respostas seguem sempre a mesma linha: os colaboradores não obedecem às regras estabelecidas pelo alto comando, não seguem processos definidos, existe uma espécie de rebeldia em cumprir ordens da forma como foram previamente estabelecidas. É como se houvesse uma anarquia organizacional instalada, e para muitos gestores isso leva ao descontrole, à falta de padrão e, por consequência, a erros crônicos e resultados ruins.
Mas seria a indisciplina a principal causa dos problemas organizacionais? Se todos obedecessem aos "comandantes" e cumprissem as regras à risca, as empresas entregariam performance acima do esperado? A resposta, segundo Baffini, é não.
Ele reconhece que por muitos anos teve a mesma percepção: as regras deveriam ser seguidas, protegem a organização e quem as executa. Mas com o tempo passou a se questionar o quanto seria monótono manter tudo dentro de regras e métodos impostos, muitas vezes, por quem desconhece a operação ou está distante dela. Ser disciplinado é, de certa forma, o caminho mais fácil: segue-se a regra formalmente e, se o resultado for ruim, a culpa recai sobre o método, não sobre quem o executa.
A anarquia organizacional expõe o colaborador e a empresa a riscos reais. Mas também gera algo que Baffini chama de energia vital, a força que impulsiona mudança organizacional e inovação. E aqui está o contraponto interessante do artigo: são os mesmos "comandantes" que cobram disciplina que também exigem inovação, proatividade e agilidade na tomada de decisão.
O desafio, então, é aproveitar essa energia transformadora sem perder o padrão, sem abrir mão das regras que protegem a organização e quem nela trabalha. A palavra-chave, para Baffini, é comprometimento. Comprometer a todos com o resultado é o que permite conter essa energia dentro de limites estruturados, gerando resultados que levam a empresa a patamares competitivos antes inimagináveis.
Já existem organizações que administram esse caos criativo com sucesso, e Baffini resume o que elas têm em comum a três características: objetivos e recompensas claras e comuns a todos os participantes, a liberdade de que participa quem quer, e a ausência total de espaço para o ego. Parece simples, mas para que isso funcione, os objetivos da organização precisam ser genuinamente desejados pelos colaboradores, e isso já é outro desafio.
Na Fundação Dom Cabral, por meio do Programa PAEX, esse é justamente o tipo de trabalho realizado: ajudar organizações a transformar essa energia vital em busca constante de inovação e dos resultados que o mundo moderno exige.





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